ENTENDA: PATROCINIO CULTURAL É INDENPENDENTE DE LEI DE INCENTIVO #prontofalei

Resolvi escrever este texto pois há muito venho dizendo ao pessoal da cultura que elaborar projetos e procurar patrocinadores não é vinculado ao cadastro em leis de incentivo ou editais. Os projetos e os patrocínios devem e acontecem independente de ter ou não uma lei ou edital para tal.

Para entender um pouco mais trouxe o primeiro “mecenas” Gaius Maecenas ou Caio Cílnio Mecenas (68-8 a.C.), conselheiro do imperador Cesar Augusto o filho de Júlio César. Ele criou a sua volta a permanência de amigos intelectuais e artistas. Era um patrocinador de todos, tornando-se um modelo para vários outros governantes e pessoas importantes. Tudo isso sempre com a intenção também de melhorar a própria imagem. ImagemDesde então, com toda essa fama e modelo copiado, o termo “mecenas” se tornou adjetivo para aqueles que patrocinavam as artes e os seus artistas. E claro esse patrocínio veio sempre com a contrapartida da fama e da boa imagem para quem o fazia.

Passados muitos e muitos anos ainda hoje as belas artes e agora muito mais a cultura em sua totalidade abrangendo a culinária, patrimônio, línguas, costumes e tal, está ainda dependente, e com razão, dos “mecenas”, dos patrocinadores que por aí buscamos. O mecenato, ou patrocínio, tem dois pontos de atuação: o cultural e o social. Nas duas áreas vem sendo desenvolvido e pensado os incentivos fiscais para que seja mais efetivo a participação de empresas e pessoas físicas. Ponto positivo.

Na área da cultura, no Brasil, temos leis federais, estaduais e municipais. As leis federais principais e efetivas são a Rouanet e a Lei do Audiovisual voltada para o cinema. A Rouanet, antiga lei Sarney, trabalha com incentivos das empresas e pessoas físicas através do IR e o abatimento variando até 100%. As leis estaduais trabalham com incentivos através do ICMS, só podem patrocinar empresas, e as porcentagens de abatimento na maioria dos estados (quase todos já tem sua lei de incentivo) é de 80% e 20% tem que sair efetivamente do bolso da empresa. No estado de São Paulo, o Proac, lei estadual, o abatimento é de 100% do valor patrocinado. As leis municipais são variáveis de acordo com o município e trabalham com o IPTU e ISS para os incentivos. A grosso modo, a empresa deposita na conta do projeto cultural o valor X, guarda o recibo e na hora de pagar o imposto faz o abatimento de acordo com as normas.

Muito legal né? Só que com essa prática, e com o aumento dos cursos sobre projetos e produção cultural, captação de recursos e outros, tem se deixado, erroneamente, a impressão de que as leis de incentivo e editais estão vinculados aos projetos e vice-versa. Com a quantidade de novos projetos e novas possibilidades estão quase todos, patrocinadores e patrocinados, VICIADOS em patrocínios apenas via leis de incentivo. Ponto negativo.

Quando se elabora e escreve um projeto o principal objetivo dever ser realiza-lo, de uma forma ou de outra. Muita gente me procura para auxiliar nos problemas com captação. Costumo dizer sempre que o mais fácil é escrever e aprovar um projeto, o difícil, mesmo é vender o projeto para o possível patrocinador.

Diante destas dificuldades tenho 7 conselhos resumidos e que são bons porque nos meus cursos eles são mais detalhados e são pagos (risos):

1- Faça um projeto porque você tem uma boa ideia e de um tema que você tem conhecimento.  A regra em vendas é que “ninguém vende aquilo que não acredita e que não conhece”.

2- Faça uma projeção de gastos pensando também em parcerias, permutas e outros tipos possíveis de entrada de recursos, pagamento ou aquisição dos itens do seu projeto.

3 –Se você pensa em dinheiro porque não pensar em ações de sustentabilidade? Exemplos: jantar pago, ingresso antecipado, compra de cotas do livro ou CD, uma festa, venda de camisetas etc.

4 – Construa um plano de negócios, de possibilidades de patrocínio e cotas, não só baseado em incentivo.

5 – Quando abordar uma empresa não pense somente no projeto em si. Pense que esta empresa poderá ser uma parceira para vários momentos.

6 – Pense e repense a sua planilha financeira para que sempre tenha formas alternativas para readequar os orçamentos.

7- NUNCA, repito NUNCA, aborde um possível patrocinador falando de imediato que o projeto está em lei X ou Y. Esta informação é a “Cereja do bolo”.

Com estes conselhos sei que você terá muitas ideias. Acredite no seu projeto, acredite que ele é um bom negócio para o patrocinador.

A INTELIGÊNCIA é entender que PATROCÍNIO CULTURAL É INDEPENDENTE DE LEI DE INCENTIVO. Patrocínio é uma via de mão dupla, é um ganha X ganha. Mas, sendo você o maior interessado, tente construir os argumentos necessários para o convencimento. Vender também é uma arte.

25 respostas em “ENTENDA: PATROCINIO CULTURAL É INDENPENDENTE DE LEI DE INCENTIVO #prontofalei

  1. Querida, Faço projetos desde que leis existem…há mais de 30 anos… Entretanto você tem razão, havia antigamente o agente cultural que vendia os projetos, e o produtor em geral era a empresa que executa o projeto. Hoje todo mundo faz de tudo, …procuro pessoas para serem parceiras na produção e inscrição do projeto em leis; pois é muito trabalhoso e exaustivo fazer todas as etapas do trabalho.. Há também a possibilidade de serem usadas verbas de marketing, pois de toda forma a empresa que investir, terá seu retorno em livros e em mídia ou imagem….mas os empresários, gananciosos, fizeram seus departamentos de cultura, para não pagar o governo e e beneficiar das verbas destinadas à cultura…. Seus funcionários querem mostra serviço e em vez deles estarem participando do projeto de agentes culturais, concorrem com esse ultimo….é uma questão de mentalidade de aproveitar do dessa verba aqui no Brasil.

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    • Candida querida,
      quiçá todos fossem iguais a você pois é mesmo como você disse. Mas tenho certeza de que aos poucos vamos profissionalizar o setor e fazer mais e mais pela cultura, pelas artes e pelos profissionais da cultura.
      beijo, obrigada e bom fim de semana
      Marília

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  2. Marília gostei de ler sobre o que escreveu e preciso entender mais de leis de incentivo. Na verdade já fiz controle financeiro e prestação de contas de projeto incentivado pela lei do esporte, mas conheço muito pouco sobre as leis estaduais e municipais. Entendo que, como você mencionou, deve acreditar no seu projeto, planejar de acordo com as necessidades e vender sem a obrigatoriedade de incentivar. Mostrar ao patrocinador o que o projeto tem de interessante para ele etc. será de fundamental importância.
    Obrigado pelo texto!

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  3. Muito Bom!!! tenho um Projeto que já foi aprovado pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado RJ-Ponto de Cultura, mas tenho outros que gostaria de estar realizando. Gostei muito das suas dicas ….Abraço ML

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  4. Marília, muito bom o seu texto e suas dicas para os propontentes de modo geral. Trabalho numa grande empresa e sou a analista responsável pela análise e execução de patrocinios dentro de um determinado território e, um dos maiores gargalos que enfrentamos é a falta de pessoas preparadas para vender seus projetos.
    Uma outra dificuldade é a qualidade dos projetos (aplicabilidade, viabilidade econômica, entre outros) e, por fim, o discurso inicial de que o projeto está vinculado a esta ou aquela lei de incentivo.
    É importante que o mercado entenda que, os patrocinios tem sido, cada vez mais,uma importante ferramenta de relacionamento e fortalecimento de imagem das empresas e que, sim, um projeto precisa ser bom para todos os lados. Tudo é uma questão de como você mostra essas vantagens.

    Abraços,

    Kely Padilha

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      • Cândida, temos priorizado projetos voltados à:

        ACESSO E CIRCULAÇÃO

        Democratizar o acesso à cultura em diversos segmentos e para todos os públicos. Serão priorizados projetos de circulação/ itinerância, com entrada gratuita e realizados em espaços públicos.

        VOCAÇÕES E TALENTOS

        Revelar e formar capacidades individuais e coletivas no campo das expressões culturais tendo a inovação e a produção como base do conhecimento, bem como ampliando possibilidades de profissionalização neste setor.

        MEMÓRIA
        Preservar e valorizar o patrimônio, material e imaterial, capaz de revelar histórias, valores, expressões e costumes. Estão inclusos projetos de recuperação de bens imóveis e acervos – museológicos, documentais, bibliográficos, fotográficos – e manifestações artísticas – seus saberes, seus ritos e festividades.

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      • Ola Marilia…. Creio que podemos fazer algo juntas, pois eu sou o conteúdo e você talvez a produção e aprovação. Vamos nos falar. Sou especialista na área de restauro com longa carreira nesse tema, e tenho diversos livros publicados sobre patrimônio e memoria brasileira.
        Se fora legal para você podemos falar pessoalmente

        abs .

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  5. Parabéns pelo artigo Marília.
    Sou produtor cultural e projetista, então sei o que está falando e com muita propriedade.
    Continuarei seguindo e indicando o blog por seu ótimo conteúdo.
    Abraço forte.
    Orlando Valle, Salvador, Bahia.

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    • Super Obrigada Orlando,
      que bom que vamos nos achando pelo mundo né?…rs. Acho que ainda temos um longo caminho para a grande profissionalização mas já tem muita gente boa por aí. Obrigada por acompanhar. Bj e boa semana.
      Marília

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      • É verdade Marília, temos um longo caminho a trilhar.
        Também acredito que a classe cultural, digo, toda a cadeia artística, peca, por falta de visão, com poucas exceções, ao não se envolver de forma visceral na questão da Educação. Na minha opinião, a melhoria da qualidade do ensino, entre outras coisas, nos traria resultados em escala, pois é sabido que, as sociedades com alto nível de educação, tem maior fruição e consumo de bens culturais, uma vez, que o nível educacional quase sempre favorece a ascensão econômica e a mobilidade social. Quer dizer, estaríamos advogando “interesseiramente” em causa própria, não acha? Além do mais, os benefícios desta mobilização da classe, traria muitos dividendos sócio-econômicos e imagéticos incríveis, criando um círculo virtuoso sustentável e sem precedentes no Brasil, devido à riqueza cultural e à criatividade, alçando-nos a um patamar inimaginável no médio e longo prazos. Só citando a MPB, uma das três músicas mais tocadas no mundo, depois da estadunidense e antes da cubana, que mesmo com a dificuldade de um idioma pouco falado e conhecido – a arte é linguagem universal – consegue apaixonar fãs em todos os continentes, poderia trazer mais divisas ao país. Erramos na estratégia, que deveria ser mais agressiva e por excesso de timidez. É uma provocação, querida Marília. Beijos. Orlando Valle

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      • Tenho projetos urgente de aplicação para finalização de gravação de um CD maravilhosos Vejam se alguém ainda tem verba para esse ano. Olá Candida,

        “Mando então aqui, conforme conversa nossa ao telefone, o projeto de patrocínio direto e parcerias envolvendo dois dos nossos próximos discos, VERMELHO e PALAVRA CÁLIDA.

        O foco mais importante, porque já está masterizado e pronto para ir para a fábrica, é o VERMELHO. Mas porque o outro, PALAVRA CÁLIDA, já está também bastante adiantado, e porque a relação custo-benefício para o apoiador, tendo como contrapartida um box com os dois álbuns, pode ser interessante, consideramos também essa alternativa. Sei bem do adiantado da hora e que, ainda para esse ano, pouquíssimo provável conseguir alguma coisa. De todo modo, já que estamos considerando cotas de apoio direto desde pequenas até as que envolvem tiragens customizadas para o apoiador, não vamos deixar de ter alguma esperança de algum eventual ou alguns eventuais apoiadores pontuais que queiram entrar na história do álbum VERMELHO através de um apoio menor mas que pode adiantar muito o custeio de produção e de pós-produção do disco. E de todo modo, o ano que vem já está aí, né? Vamos torcer para que gostes da música e do perfil dos projetos e que te interesses por eles, nesse finalzinho de ano e pro ano que vem.

        Neste email, além do projeto, mando pra ti links de vídeo do Youtube:

        A CANÇÃO DO NOSSO AMOR (do CD “VERMELHO”) http://www.youtube.com/watch?v=yAccBvHYZ58

        SONHO MEU (clássico do mesmo autor da música acima

        e

        parceiro de Luis Felipe Gama)

        http://www.youtube.com/watch?v=lVFT6k3Sw9w

        OTRA GENEVIÈVE (do CD “PALAVRA CÁLIDA”) http://www.youtube.com/watch?v=9Xu3kuYu2PY

        JULIANA (Luis Felipe Gama) http://www.youtube.com/watch?v=O8KgOPcCQzc

        CLIPE – melhores momentos

        Num próximo email, mando algumas outras faixas dos dois discos, pra conheceres um pouco melhor, um material de imprensa mais completo e um boneco das capas dos álbuns e do eventual box para os dois álbuns juntos.

        Grande abraço,

        Luis Felipe 11 9 8647 0532

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